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não ponha sal em mim

julho 16, 2011

esse gosto de sal na boca
do não

queria docinho
queria beijinho
mas não

você é tão salgado
tão amargurado
que não…

quer cuidar de mim
como se cuida uma mulher
não quer cuidar de mim
como se cuida uma mulher

poderia te ensinar poesias de amor
fantasias com sabor de côco
mas não…

quer cuidar de mim
como se cuida uma mulher
não quer cuidar de mim
como se cuida uma mulher

quer me tratar como lixo
como coisa qualquer
não ponha sal em mim
não vou ser sua mulher

não ponha sal em mim
nunca serei sua mulher

você é tão salgado
tão amargurado

não ponha sal em mim
nunca serei sua mulher

Yvone Delpoio

De onde eu vim

junho 29, 2011

Eu não menti pra você
sobre nós dois
Quando queria dizer
não quis ouvir
Nem mais uma palavra
Então, peguei minhas coisas
peguei um ônibus
De volta à cidade de onde eu vim

As coisas não foram
Como achamos ser
A gente já não é
nenhum de nós
Jogados no canto da sala
Então, peguei minhas coisas
peguei um ônibus
De volta à cidade de onde eu vim

Só não esqueça
De passar suas camisetas
Porque peguei minhas coisas
peguei um ônibus
De volta à cidade de onde eu vim

Yvone Delpoio

Mudanças

março 23, 2011

deixando o tempo dizer o que é melhor pra mim
deixando você que é ruim
tomando o que tem gosto de festim

Yvone Delpoio

Sistema corrompido

fevereiro 22, 2011

escolha um drive: CORAÇÃO:/
escolha uma ação: Ejetar
escolha o arquivo: amor.fdp

Yvone Delpoio

FODA!

novembro 3, 2010

Pra ele eu era foda. Apenas. Não como adjetivo, mas como substantivo. A foda do fim de semana.
Pra mim ele era foda. Tudo. Não como substantivo, mas como adjetivo. O cara mais foda do mundo.

Yvone Delpoio

Quem sabe?

setembro 24, 2010

quem sabe eu tenho sorte e posso te encontrar por aí
posso chegar e falar sobre qualquer coisa e nada
e toda atenção você dará a mim

quem sabe um dia chego aí
na porta de hoje tudo vai bem
vamos ver as estrelas
tomar caldo de cana
sentar na areia
nadar com as ondas

quem sabe eu vou chegar na padaria
e meu sonho estará recheado com aquele creme amarelo
e não doce de leite

Yvone Delpoio

Alguém que guardo

setembro 10, 2010

Saudades de você. Não são saudades dos seus beijos ou carícias, desses já não lembro. Não são saudades dos seus olhos apertadinhos, desses eu lembro olhando tenros para mim, mas não são deles que sinto saudades. Sinto saudades de você. Da pessoa que você é, do homem ao qual eu admiro. Que dia ou outro aparece por aqui em uma imagem, em uma frase. Vez ou outra seu nome me encontra. E a cada vez descubro coisas novas. E o admiro mais. E sinto mais saudades. E então penso que queria estar perto para compartilhar minha admiração, para dizer que eu gostei do que eu vi e ouvir o que você pensa e o que você sabe. É disso que tenho saudades. Do homem, do amigo. De estar junto de alguém inteligente e conversar bobagens e fazer teorias sobre a vida e pessoas e o futuro. Mas não mais faremos teorias juntos. Então faço minhas próprias teorias e penso que teoricamente é assim que devemos ficar. Longe, distantes de qualquer aproximação. Teoricamente nos perdemos, pois nos desprendemos quando já juntos não estávamos. Mas não acho que o tenha perdido completamente, pois ao mesmo tempo em que perdi o homem e a amizade, eu ganhei alguém para admirar. Alguém que sinto orgulho de um dia ter estado perto. Alguém com quem fiz teorias sobre a vida e pessoas e o futuro. E minha teoria sobre o futuro, ou melhor, “nosso futuro”, é que não teremos mais futuro. Você continuará onde está e eu, de longe, sempre te observarei encontrando imagens e frases e seu nome. E sorrirei porque assim me sinto satisfeita. E a saudade diminui um pouco, mas também aumenta um pouco toda vez que vejo e lembro o homem ao qual sempre admirarei.

Yvone Delpoio

O Livro

agosto 27, 2010

Ele me deu um livro. Eu dei a ele um livro. Coincidência. Ele me deu poesia. Eu dei romance. Não conheço esse autor, eu disse. Foi recomendação do vendedor. Não acredito que você me deu esse livro! Como conseguiu? Como achou? Procurei em todos os sebos da cidade. Encontrei no último. Gostei desta, curta, intensa. Que bom que gostou. Nem olhou. Vou devorar esse.
Queria ser aquele livro. Queria que ele me amasse naquele instante como amara aquele livro que ele ainda nem tinha lido. Mas pelo menos ele se esforçava. Ele me olhava com interesse, atenção e um pouco de carinho. Mas quando abriu aquele pacote, seus olhos tinham uma paixão de olhos grandes, empolgante. Queria ser aquele pacote. Queria que ele me devorasse. Com olhos. Queria que minhas coxas fossem aquelas páginas. Que a boca fosse a capa. Queria que meus olhos fossem aquelas frases. Meus seios seriam as dobras na ponta do livro. E meu perfume seria aquele cheiro de livro velho, guardado e amarelo. Ele adora cheiro de livro velho. Eu não. Me ataca a rinite. Em silêncio, eu lia o livro de poesias. O do vendedor. Não pude reclamar. Foi uma ótima escolha. Amanhã irei visitá-lo, pensei. Pode indicar outros bons. Eu lia meu livro do vendedor com uma luz baixa da luminária ao lado da minha poltrona azul. Ele lia O Livro esparramado no meu sofá como se estivesse vendo a final do Campeonato Brasileiro de Futebol. Por um momento achei que ele havia pedido cerveja. Continuei a leitura, introspectiva. Ouvi uns gritos e até gemidos! Ele estava fazendo sexo com O Livro. Ali, do meu lado. No meu sofá! E não era comigo. Era com aquele maldito livro. Ah se arrependimento matasse, teria morrido ali e ele nem aí. Estaria muito entretido fazendo sexo com O Livro. E ele estava mesmo chegando ao orgasmo. Mas eu até gosto. Gosto dele com olhos grandes, lendo livros e gozando com eles. Gosto muito desse homem que faz sexo com livros com direito a gritos e gemidos. Enquanto tento ler meu livro de poesias num clima calmo. Mas não agüentei. Espiei com um olho por cima do livro. Me entreguei àquela cena e admirava aquele sexo dele com O Livro. Não hesitei. Fechei meu livro e virei uma voyeur daquilo. Ele mal sentia minha presença. Eu só observava. Seriam horas e horas até a última página. Ele não ia parar sequer para respirar. Ele ia até o fim. E eu esperei e esperei e esperei. E não cansei. Depois ia ser a minha vez.

Yvone Delpoio

retrato das flores

julho 22, 2010

você e seu amor caminham por meio de um campo de flores vermelhas.

você passa a mão entre as flores.

você está feliz.

dá pra notar pelo sorriso largo e olhos que brilham à luz do sol.

seu amor põe uma flor no seu cabelo.

“linda” ele diz.

você sorri e parece ainda mais feliz.

então você deita, olha pro céu e desacredita nesse paraíso.

ele deita do seu lado e lembra que é tudo real.

os cheiros das flores parecem ainda mais fortes.

ele te beija.

e como que de repente o amor floresce entre flores vermelhas.

Yvone Delpoio

cuidado! balões à vista

julho 14, 2010

ah se eu pudesse voar
com um punhado de balões
ficaria no ar até estourar
meus pulmões

Yvone Delpoio

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